Risco de evento cardiovascular aumenta em 40% quando o paciente não segue o tratamento

 

A hipertensão é doença silenciosa e muito traiçoeira. Por ser uma doença crônica e na grande maioria das vezes sem sintomas específicos, ela requer tratamento contínuo, o que significa ter que tomar um ou mais medicamentos todos os dias.

Segundo especialistas, o grande desafio é conseguir fazer os pacientes seguirem o tratamento. Muitas vezes, acontece o seguinte: a pessoa toma o medicamento por um ou dois meses e adquire o hábito de aferir a pressão rotineiramente em casa ou nos postos de saúde. Percebendo que ela estabilizou, abandona o tratamento.

"Alguns medicamentos para hipertensão têm um tempo de ação mais prolongado no organismo. Então, quando o paciente deixa de tomar, durante até uns quatro ou cinco dias a pressão dele ainda fica estabilizada. Ele continua aferindo e acha que realmente está curado. Mas é aí que mora o erro. Porque se ele passar por qualquer situação estressante, vai ter uma crise hipertensiva, que pode resultar lá na frente em problemas mais graves, como infarto e derrame", pontua dr. Marcelo Campos, cardiologista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Segundo o especialista, quando o indivíduo deixa de tomar a medicação, o risco de ele sofrer um evento cardiovascular aumenta em mais de 40%.

O número de pacientes que abandonam o tratamento é preocupante. "Nem sempre o paciente encontra todos os medicamentos. A grande maioria necessita de mais de um. Aí um está disponível; outro, não. É bem volátil", diz Campos.

Outro motivo da baixa adesão são os efeitos colaterais. Mas não se esqueça: muitos deles desaparecem dentro de alguns dias após o início do tratamento, quando seu corpo se acostuma às alterações que possam ocorrer.

"Daí a importância de sempre conversar com o médico e relatar qualquer desconforto. Atualmente, há várias opções terapêuticas no mercado que podem amenizar sintomas", reforça Campos.

Mas lembre-se que não é só o tratamento medicamentoso que vai ajudar a estabilizar sua pressão. A mudança de hábitos também contribui muito para que o tratamento surta efeito. Redução do consumo de sal, perda de peso, prática diária de atividade física fazem parte desse combo. "Aqueles pacientes que possuem hipertensão mais leve conseguem se beneficiar bastante dessas mudança de estilo de vida e muitas vezes não necessitam de medicação, mas somente um médico especializado pode prescrever e acompanhar o tratamento".

Abaixo, algumas dicas sugeridas pela Sociedade Brasileira de Hipertensão para você conseguir seguir seu tratamento:

1.      Associe os horários de tomar os medicamentos com atividades diárias, como refeições (café da manhã, almoço, jantar), hora de deitar ou de acordar.

2.      Mantenha os medicamentos em local sempre visível, próximos à geladeira ou à televisão, porém longe do alcance das crianças.

3.      Solicite ajuda aos familiares para que eles auxiliem a lembrar os horários.

4.      Se tiver que tomar vários medicamentos, faça uma lista ou tabela com nome, quantidade e horários de cada um e deixe fixada em local visível.

5.      Use aparelhos, como o celular, programado para disparar um alarme nos horários que tiver que tomar a medicação.

6.      Nunca interrompa o tratamento por conta própria. Não caia na ilusão de achar que a pressão está controlada e vai continuar assim se você parar.

 

 





Tags: hipertensão, tratamento, pressão alta, doença crônica



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