Pessoas com diabetes podem enfrentar problemas de cicatrização principalmente em dois casos: quando há alguma infecção ou em casos de doença arterial periférica, condição que provoca o estreitamento dos vasos sanguíneos, causando má circulação nos membros inferiores.

Um dos principais problemas são as úlceras nos pés, geralmente causadas pela neuropatia diabética periférica, um tipo de dano no nervo que geralmente afeta as pernas e os pés e acomete cerca de metade dos pacientes sem provocar sintomas. Na outra metade, pode se manifestar com queimação, fisgadas, pontadas e choques nos pés e nas pernas, normalmente nos momentos de repouso, à noite. “A recomendação diante de lesões nos pés é a seguinte: se uma ferida não evolui bem em três semanas, é preciso fazer uma reavaliação das condições arteriais e da sensibilidade aos antimicrobianos (substâncias que combatem a presença de micróbios, como fungos e bactérias) utilizados”, explica a endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), dra. Hermelinda Pedrosa.

Por conta de danos nos nervos, os pacientes com diabetes têm risco de desenvolver uma insensibilidade que pode ser acompanhada por deformidades nos pés. “Essas deformidades promovem pontos de pressão aumentada na planta dos pés, resultando em calos. Diante do estímulo contínuo, como caminhar ou até mesmo usar sapatos inadequados, a pele se rompe e surge então a úlcera. Dependendo da profundidade, os ossos dos pés podem ser atingidos, resultando na osteomielite (inflamação nos ossos)”, afirma a Dra. Hermelinda.

Segundo a endocrinologista, todas as pessoas com diabetes tipo 2 devem ter os pés examinados logo após o diagnóstico, já que podem surgir complicações ainda na fase inicial, que dura entre cinco e sete anos. Nesses pacientes, a melhor forma de evitar o problema é manter a glicemia dentro dos níveis indicados pelo médico e ficar de olho em fatores como hipertensão, obesidade e dislipidemia (nível elevado de gorduras no sangue). Já nos pacientes com o tipo 1, a recomendação é fazer o exame dos pés após cinco anos de evolução da doença. A principal forma de prevenção é a mesma: manter o diabetes controlado. Lembre-se que uma das principais formas de manter a glicemia sob controle é ter um medidor de glicose em casa e anotar diariamente seus níveis.

No caso de outras feridas (por exemplo, quando a pessoa cai e machuca o braço), também pode haver lentidão na cicatrização se o diabetes não estiver controlado, ou seja, com glicemia e HbA1c (hemoglobina glicada) fora dos níveis recomendados. Essas medidas também favorecem a infecção de ferimentos, inclusive os que são decorrentes de cirurgias. É importantíssimo prevenir, pois depois de instalado, o problema exige o uso de antibióticos e assistência médica para tratar especificamente de cada caso.

 





Tags: diabetes; cuidados; pés; cicatrização



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