Numa fase de indecisões, pais costumam projetar os desejos nos filhos na hora da escolha da profissão

 

Na hora de escolher uma profissão, os jovens costumam contar com a ajuda dos pais, estes, por sua vez, muitas vezes, costumam indicar o que eles gostariam o que os filhos fizessem. O que nem sempre é a mesma vontade e o desejo do adolescente. Isso pode acarretar em problemas lá na frente para esses jovens que podem até mesmo querer mudar de profissão mais tarde.

Batemos um papo com Ivo Carraro, psicólogo e orientador educacional do Curso Positivo em Curitiba, para ajudar pais e filhos a passar por essa fase de forma mais tranquila. Confira:

O que fazer quando os pais obrigam seus filhos a seguir uma carreira?

Seguidamente, uma das grandes dificuldades para a escolha profissional é a possível discordância que poderá existir entre a vontade dos pais e a dos filhos. Muito antes de o filho escolher a sua profissão, é comum que seus pais já tenham desejado determinadas profissões a ele. Talvez aquela que desejavam para si mesmos. É evidente que os pais desejam o melhor aos seus filhos. Uma profissão que lhes conceda status e dinheiro. Só que os pais não podem (e não devem) decidir por seus filhos.

Como os pais podem ajudar de forma positiva seus filhos na hora da escolha?

A escolha da profissão é um processo. Não existe uma receita pronta que sirva de roteiro. É tudo uma questão de sensibilidade, de diálogo, de escuta, de mostrar e de facilitar caminhos.

É pelo diálogo que o filho será inserido no mundo das relações de trabalho. É pela linguagem, pela fala que os pais dão forma aos filhos. Afinal, são os pais os primeiros geradores de opinião dos filhos. Dessa forma, há de se preparar o filho para a atividade profissional. Que ele desempenhe da maneira que ele realmente é, por  vocação, como forma de chamamento; que seja significativa para ele, que tenha sentido e não somente que represente um papel, pois, senão, poderá ser altamente estressante e comprometer a sua saúde física e mental.

Se, porventura, o filho seguir os mesmos passos da profissão dos pais, que seja por vontade própria e, que neste seguir, tenha a felicidade de ter nos pais o exemplo de realização pessoal e profissional, que possa deixar marcas no mundo, para, no futuro, poder contemplar o seu trabalho realizado com orgulho próprio, com brilho nos olhos, semelhante ao artista que contempla sua obra acabada.

Quais dicas para um jovem que ainda não sabe o que seguir?

Muitos livros já foram escritos sobre profissões. Incontáveis conceitos apresentados. A Neurociência, a ciência do cérebro, propõe que: a profissão é uma atividade prática onde se aplicam as inteligências.

Assim, se um jovem desenvolveu uma inteligência ligada com matemática ou física, deverá procurar uma profissão que utilize mais este tipo de inteligência, como a engenharia. Isso não significa que quem se identifica com matemática e física deverá cursar engenharia. Mas as engenharias utilizam mais essas matérias.

Se uma inteligência ligada com biologia e química foi formada ao longo da vida, que se busque uma profissão como medicina, farmácia ou outra congênere.

Se o talento do jovem estiver ligado a uma inteligência linguística – Língua Portuguesa – que o seu destino seja, propõe a Neurociência, uma profissão que dela se utilize, como jornalismo, letras ou mesmo direito.

Note-se que a profissão tem a ver com os talentos individuais. A grande questão negativa é escolher uma profissão que fuja desses conceitos. Daí o significativo percentual de desistências dos estudantes do Ensino Superior.

Tudo bem mudar

Nem sempre o curso de graduação escolhido é levado até o fim. E as estatísticas provam que isso é mais comum do que se pensa. Por isso, o processo de orientação profissional é importante. “A orientação profissional leva o aluno a descobrir o que lhe é prazeroso”, afirma Carraro.

Para diminuir as estatísticas, o psicólogo desenvolveu um método de orientação profissional que ele aplica no Curso Posi- tivo. Por meio das habilidades e potencialidades chega-se à profissão com a qual o aluno mais se identifica.

“Ninguém nasce sabendo. Ao desenvolver as habilidades – linguísticas, espaciais, matemáticas –, é que o aluno vai poder escolher a profissão com que mais se identifica”, conclui Carraro.

Ivo Carraro também é escritor do livro ‘PROFISSÕES: a vocação dos filhos e o desejo dos pais’, da Editora Prismas.

 





Tags: graduação, profissões, diálogo



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